03.abr.11 - 23h15 | Atualizada em 05.abr.11 - 11h12

Marcos Grava: Esporte é maior porta para países fechados a Jesus
Vice-presidente dos Atletas de Cristo crê que pressão sobre jogadores da seleção brasileira em 2014 será maior por conta das lembranças do fiasco de 1950



Preletor do Acampamento “Tropa de Cristo”, o pastor e ex-jogador de handebol Marcos Grava prevê um jogo difícil para os jovens atletas da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014. O problema não será os bons meias e atacantes dos outros times. Para ele, o adversário maior a derrotar será a pressão psicológica sobre os atletas mais jovens, como Neymar e outros potenciais convocados. Grava entende que serão cobrados por conta do fiasco brasileiro de 1950, ano do último mundial realizado no Brasil, quando perdemos a final para o Uruguai em pleno Maracanã.

"“Se o Brasil perder a Copa dentro do Brasil, a nossa seleção vai ser destroçada pela imprensa”", afirma Grava, em entrevista exclusiva ao site da Pibluz. Vice-presidente dos Atletas de Cristo – o pastor considera o esporte a melhor porta para o cristianismo (veja vídeo acima) –, ele atribui à Rede Globo e a setores da imprensa uma parte da culpa pela derrota na última Copa, quando o Brasil perdeu por 2 a 1 da Holanda nas quartas-de-final.

Coordenador do Programa Esportivo Missionário (PEM) da Junta de Missões Mundiais (JMM), Grava acredita que as atividades físicas são o melhor método para falar de Jesus em países fechados ao Evangelho. Entre esses países, estão os do Oriente Médio, do sudeste asiático e do norte da África – muitos deles em meio a revoltas populares por mudanças nos regimes políticos. Na conversa com o site da Pibluz, Grava conta que os Atletas de Cristo estudaram fazer uma representação contra a Fifa, órgão máximo do futebol mundial, para derrubar uma norma da entidade que proíbe os esportistas até de fazerem orações em campo depois que uma partida é encerrada. Mas a ideia acabou deixada de lado.

Os maiores objetivos da JMM e dos Atletas de Cristo nos próximos anos são a evangelização nos grandes eventos públicos que acontecerão: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A ideia é fazer “um grande impacto” durante o período.

Falando aos jovens que participaram do acampamento, o pastor Grava lembrou que o importante é sintonizar as vocações pessoais com as carências das pessoas ao redor. “Nossa vocação se encontra no lugar onde nossas virtudes e talentos encontram com uma necessidade da humanidade”, disse ele, citando o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.). “A maior necessidade da humanidade é Jesus Cristo”, completou o pastor, preletor do Acampamento organizado pela Primeira Igreja Batista no Cruzeiro Novo e com a participação da Primeira Igreja Batista de Luziânia.

Grava comemorou o espírito do evento. E ficou feliz de saber que diversos jovens demonstraram, em conversas com ele, terem compreendido as pregações da Bíblia.

Na JMM, o pastor coordena os 20 missionários que se dedicam ao esporte. Ele também é responsável por organizar as viagens dos voluntários que fazem missões em suas férias, ficando de uma semana a até seis meses nos campos evangelizando e prestando assistência humanitária pelo mundo afora. Ao todo, a JMM tem 614 missionários, em todas as áreas de atuação, afora os mais de 200 voluntários que se oferecem para trabalhar todos os anos.

Nos Atletas de Cristo, organização que levou Grava a conhecer Jesus, o pastor coordena um time de futebol formado por jogadores cristãos em atividade e em aposentados. “Nosso time é muito forte”, diz ele. A equipe faz amistosos mundo afora e aproveita o momento para levar o nome do Senhor a pessoas que não o conhecem, dentro e fora dos estádios.

Marcos Grava Vasconcelos tem 41 anos. Nasceu em São Paulo, mora no Rio de Janeiro e é casado com a missionária Luciana, grávida de sete meses do seu primeiro bebê. No vídeo acima, há um resumo da conversa com o site da Pibluz. Abaixo, você confere a entrevista completa, durante a realização do acampamento. (Reportagem: EDUARDO MILITÃO. Edição do vídeo: FÁBIO PEREIRA)

O que o senhor achou do acampamento?

MARCOS GRAVA – Fico muito contente quando alguém tem coragem para quebrar alguns paradigmas existentes na nossa igreja, como, por exemplo, acampamento, retiro de carnaval, mensagem cotidiana, temas do dia a dia, não muito diferente do que a gente costuma ouvir na igreja aos domingos... Um jovem que vem para um acampamento e que está em comunhão com a igreja, seguindo as programações normais, as escolas bíblicas, vem porque o acampamento é para ele descobrir algo novo, ter um tempo de lazer. O que me atraiu aqui foi justamente falar do tema que é não é muito comum em retiros de carnaval ou outras atividades que a igreja faz fora do seu templo, é falar sobre missões, evangelização de pessoas, envolvimento com ministérios, descobrir sobre o propósito de Deus para sua vida. Fiquei muito feliz de ver a coragem dos irmãos de ambas as igrejas que se envolveram no retiro para trazer aqui um tema como esse. Fiquei muito à vontade para conversar sobre os desafios missionários e a necessidade de envolvimento nessa tarefa.

Se o senhor tivesse que dar, em 30 segundos, uma mensagem para os jovens, o que o senhor diria?
Gostaria que eles entendessem quando saíssem daqui foi uma palavra que eu disse, citando Aristóteles. Mesmo não sendo cristão e muito antes de Jesus Cristo, ele afirmou a respeito da nossa vocação, dizendo que ela está justamente no ponto onde as virtudes e os talentos de uma pessoa encontram com uma necessidade da humanidade. Hoje, nós, cristãos, sabemos muito bem qual é, melhor, quem é a maior necessidade da humanidade. Então, é preciso que cada jovem saia daqui sabendo que a sua vocação, aquilo para o que Deus criou e o preparou para ser, está justamente no lugar onde a sua vocação, as suas virtudes, os seus talentos, concordam com uma necessidade da humanidade. No caso, é a necessidade de Jesus Cristo, seja você médico, professor, engenheiro, jornalista, advogado, dentista, professor, jogador, o que quer se seja. Se você não está usando seus talentos para sinalizar o Reino de Deus e levar as pessoas a encontrar o amor de Cristo, que é a maior necessidade da humanidade hoje, você não está cumprindo sua vocação. E o fim certamente para ele vai ser o de muitos outros, o de muitas pessoas que nós conhecemos. Foram bem realizadas no seu trabalho, bem sucedidas na sua profissão, ganharam bastante dinheiro, ocuparam cargos de referência, mas hoje olham para trás e dizem: “Não valeu nada, eu perdi meu tempo e minha vida, ganhei dinheiro, me formei e não fiz aquilo que Deus queria”.

Daqui a dez, quinze anos, esses jovens estarão em caminhos diferentes, em lugares diferentes. Às vezes, vemos Fulano de Tal, pessoa que começou bem, estava aqui conosco, mas hoje não. Outros estão aqui. O que o senhor espera deles?
Uma vez um não cristão disse para um cristão: “Por que você lê a Bíblia todos os dias? Você não consegue lembrar o que você leu duas semanas atrás?”. E essa pessoa respondeu perguntando: “Por que você come hoje? Você nem lembra o que você comeu há duas semanas. Você come porque, nesse momento, isso vai servir para lhe sustentar durante esse dia. E naquele dia eu li a Palavra que serviu naquele dia para me sustentar”. Mesmo sabendo que – sem poder julgar os corações, porque só Deus conhece – mesmo pregando lá da frente e vendo muitas pessoas muito atentas, outras olhando de lado, outras simplesmente conversando, outras com a cabeça baixa, esperando a gente terminar de falar para poder fazer outra coisa interessante...  A minha esperança é que, no meio dessas pessoas, aquelas muito interessadas, que parecem um pouco interessadas e as completamente desinteressadas, é que Deus transforme as palavras ditas em frutos e em verdade no coração delas. Deus tem um tempo certo para trabalhar na vida de cada um. Significa que há pessoas que não estão prontas para entendermos o que estamos dizendo, outras que só vão entender daqui a algum tempo e há pessoas que talvez jamais vão entender o que falamos. Mas aí segue aquilo que nós aprendemos: “A palavra de Deus jamais volta vazia”. Todo trabalho que nós fazemos nele jamais é em vão. É isso que justifica o risco de nós sairmos de nossa casa, com a esposa grávida, beirando os sete meses, colocar num avião, vir pra um lugar e ficar aqui alguns dias. A esperança que nós temos não são os olhos atentos nos rostos ansiosos por ouvir a Palavra, que nós vimos aqui, mas está na certeza que a Bíblia nos diz: a palavra de Deus não volta vazia e, no Senhor, nosso trabalho não é vão. Se apenas uma pessoa sair daqui transformada por ela [a Palavra], assim como foi uma jovem da sua igreja, uma outra irmã que já nos procurou. Se uma pessoa entender, já vai valer todo o nosso esforço.

Como é seu trabalho na Junta de Missões Mundiais?
É muito interessante. Eu comecei na Junta de Missões como missionário, como sempre acontece, mas, por motivos pessoais e familiares eu não pude ir para o campo em definitivo. A Junta, orientada por Deus, tomou a direção de permanecer comigo no seu quadro mesmo não tendo seguido para o campo. Foi uma quebra de paradigma porque a Junta de Missões Mundiais não pode manter missionários dentro do Brasil. Mas eu era um voluntário, não recebia sustento, e então permaneci no quadro da Junta morando no Brasil. Em 2004, a Junta me convida para eu ser coordenador do programa ao qual eu seria missionário: o Programa Esportivo [PEM]. Então, passei a coordenar a vida de outros colegas que estão no campo. Essa minha função hoje se resume a mobilizar, treinar e enviar esses missionários para o campo para eles fazerem o trabalho deles fora do Brasil. No último ano, a Junta de Missões Mundiais teve a entrada de um novo diretor, o pastor João Marcos Barreto Soares, um jovem que está dinamizando a Junta, continuando o bom trabalho que foi feito pelo antecessor. Ele nos convidou a assumir outro trabalho, a coordenação do setor de voluntários. Todas as pessoas que estão em nossas igrejas e em outras denominações e que querem dar um, dois, três, seis meses de trabalho para o Senhor no campo missionário, elas são coordenados por nós. Isso nos faz hoje envolver centenas de pessoas no trabalho missionário todos os anos.

Quantos missionários a Junta possui no mundo?
614.

Desses, quantos estão envolvidos em projetos esportivos?
Em torno de 20.

E voluntários? Quantos vocês estão mobilizando?
Temos um planejamento de levar no mínimo 200 voluntários para o campo todos os anos. Mas no ano passado nós conseguimos colocar 266 voluntários.

Por qual período?
No período de até um mês, no período de férias. Mas existem aqueles que se oferecem para ficar até seis meses. Mais de seis meses não é mais voluntário.

Quais os objetivos mais imediatos da Junta de Missões?
Colocar no mínimo 200 missionários voluntários no campo a cada ano. Então nós esperamos levar um grupo de 50 missionários para o Oriente Médio agora no mês de junho, todos voluntários. E outros 120 no mês de outubro para o México, na América Latina. E também queremos levar outros 30 voluntários para o Haiti até o final do ano. Isso daria um total de 200 missionários.

O senhor é vice-presidente dos Atletas de Cristo. Como é seu trabalho lá?
Para mim, é uma grande alegria. Você imagina você se converter e, alguns anos depois, alguém lhe chamar para fazer parte da diretoria daquele ministério, né? Eu me converti por causa do ministério dos Atletas de Cristo. Foi através do testemunho de um dos Atletas de Cristo.

O senhor era atleta profissional?
Fui. Jogava handebol no São Bernardo, na Metodista, no São Caetano, no Corinthians. Mas foi através do testemunho de um atleta, o Márcio Araújo, hoje é treinador de futebol, treinou o Bahia [levou o time à primeira divisão no último ano] e é pastor. À época, ele jogava no São Paulo e o testemunho dele saiu numa revista católica. Olha só a importância dos Atletas de Cristo. Jamais o testemunho de um pastor ou cantor batista iria sair numa revista católica, mas o de um atleta estava. E eu católico praticante. Comecei a me corresponder com os Atletas. Eu deveria receber a Jesus como meu senhor e salvador. Eu fiz isso, pouco tempo depois fui pra igreja batista. E estou lá até hoje. Deus me mandou para o lugar certo. Há 21 anos, a Primeira Igreja Batista em Santo André já tinha um ministério esportivo, era inédito à época.

O que o senhor faz hoje nos Atletas de Cristo?
Sou responsável pelos projetos missionários de atletas de futebol. Temos uma equipe de futebol de altíssimo nível.

Só tem cristão no time?
Só jogador cristão. Só profissional ou ex-profissional, muitos deles jogaram pela seleção brasileira, como o Giovane [ex-meia do Santos nos anos 90], o Paulo Sérgio [ex-Corinthians, o atacante estava na seleção do tetra de 1994], o Zé Carlos, que jogou no São Paulo [lateral direito que esteve na Copa de 1998]. Eles jogam conosco em viagens internacionais e só contra seleções de países. Esse ano a gente espera fazer uma nova turnê pela África.

Com esses jogos vocês conseguem evangelizar? Como extrapolar o caráter lúdico do futebol?
Depende do que você considera como evangelismo. Teologicamente falando, evangelismo é o processo de levar uma pessoa até o momento de ela tomar a decisão: eu quero aceitar Jesus ou não. Então, você não é cristão, eu chego e lhe apresento o plano de salvação. Dependendo do seu contexto social e histórico, eu vou aumentando ou diminuindo essa abordagem. E você toma a opção de aceitar ou não Jesus. Isso é chamado evangelização. Nossa equipe, quando viaja, nós não temos especificamente uma condição de abordar as pessoas individualmente. Fazemos jogos em estádios com 10, 20, 30 mil pessoas, televisionados para milhões de pessoas. Fazemos um pré-evangelismo. Aproveitamos a visibilidade desses jogadores, damos a eles uma oportunidade de testemunho. Eles usam camisetas com dizeres cristãos: estamos falando de países fechados [ao Evangelho], muçulmanos ou comunistas. Aí, depois, algumas pessoas têm a oportunidade de abordar essas pessoas. É mais ou menos o que os Atletas de Cristo fazem aqui no Brasil.

Aí é que vem o pessoal que está na torcida?
Às vezes, quando viajamos, a gente faz isso individualmente. A gente faz umas clínicas com crianças, umas 300 crianças. Faz um treinamento com eles de futebol e faz a evangelização completa.

Viaja o time e viaja o pessoal da retaguarda?
Sim.

Quantas pessoas numa viagem dessas?
Umas 25 pessoas.

Só contra seleções...
Só joga contra seleções nacionais ou times de primeira divisão. Nossa equipe é muito forte e precisa ter um retorno financeiro porque a viagem internacional é muito cara. Então precisa jogar com equipes...

Só tem craque no time, hein?
Só, só. Só jogador que jogou no profissional ou com passagem pela seleção brasileira.

Amistoso ou campeonato?
Sempre jogos amistosos.

Quais os objetivos de vocês lá nos Atletas?
Nosso grande objetivo nos Atletas e na Junta de Missões Mundiais, os dois têm objetivos em comum, é um gigantesco projeto de evangelização na Copa do Mundo de 2014.

O que inclui isso?
Inclui a mobilização de dezenas de milhares de igrejas para trabalharem juntas, de diferentes denominações, de dezenas de ministérios para em conjunto fazer um grande impacto em nosso país durante o período da Copa e das Olimpíadas [no Rio de Janeiro, em 2016].

E as Olimpíadas de 2012?
Em 2012 vamos fazer uma caravana para Londres. No Brasil, a gente começa a trabalhar em 2013. São quatro anos.

O senhor tem relação com o Jorginho, o ex-coordenador técnico da seleção na campanha da África do Sul?
O Jorge foi o anterior presidente de Atletas de Cristo. Hoje o presidente é o Paulo Sérgio. Nosso contato com o Jorge é muito bom, não digo que temos uma amizade, apesar de morarmos na mesma cidade, a gente se via quando possível. Mas a qualquer hora ele sempre era muito solícito. Na Copa, a gente teve a oportunidade de encontrá-lo.

Como ele estava?
Ele estava bem, bem confiante. Mas infelizmente ele e o Dunga foram perseguidos pela imprensa, especificamente pela Globo, porque simplesmente não queriam deixar os jogadores darem entrevistas exclusivas. A imprensa perseguiu a comissão técnica, colocando muita pressão sobre eles, o que refletiu nos jogadores e o que nós vimos foi a derrota para a Holanda, mais uma derrota emocional do que técnica. Todo mundo percebeu isso. O Brasil perdeu o jogo no emocional. Fez um primeiro tempo excelente. No segundo tempo tomou um gol, um acidente. Aí você já via jogador com a mão na cabeça: “Se nós perdermos isso aqui, acabou nossa carreira”.

O senhor está falando da imprensa em geral ou da Rede Globo?
Era para ser só a Rede Globo, mas o resto da imprensa, nessa hora que a comissão técnica estava para defender o direito deles [de todos os meios de comunicação terem o mesmo acesso aos jogadores], você viu muita gente com a mesma visão da Globo. Você via jornalistas defendendo a Globo. O que a Globo colocava lá, os outros reproduziam, sem esse espírito crítico: “Peraí, porque eles estão fazendo isso? Por que eles estão sendo perseguidos pela Globo?”.

O senhor acha que a imprensa é responsável pela derrota para a Holanda, por conta desse quesito emocional?
Eu acho que ela não é totalmente responsável, mas ela é em parte responsável. Quando digo imprensa, não estou generalizando. Estou dizendo os órgãos que colocaram sobre os jogadores essa pressão. O que aconteceu com a Argentina quando voltou para seu país? Desfilaram e foram carregados nos braços das pessoas. Perderam de 4 a 0 da Alemanha. O que aconteceu com o Brasil quando chegou ao aeroporto? Foram hostilizados, o Jorginho foi quase agredido e tudo o mais.  Você vê que o comportamento dos brasileiros é diferente dos outros países.

O senhor acha que a seleção brasileira tem a expectativa de ser tratada diferente dos outros atores sociais?
Imagina um jogador que vai ser convocado pra Copa de 2014. Você queria estar na pele de um camarada desse? Eu queria participar de qualquer Copa como jogador quando era criança, menos no Brasil. Um jogador que participar da Copa aqui vai ter uma carga emocional, uma pressão sobre ele. O cara vai ficar lembrando toda hora: “Lembra de 1950?” [quando perdemos a final para o Uruguai em pleno Maracanã]. Se você põe um Neymar com 22 anos para jogar, vão dizer: “Lembra de 1950? Se vocês perderem a Copa aqui, vocês vão ser marcados pro resto da vida”.  Em 1950, não tínhamos o peso de cinco campeonatos, não tínhamos o futebol correndo pelo país inteiro, não tínhamos televisão. Hoje, se o Brasil perder a copa dentro do Brasil, a nossa seleção vai ser destroçada pela imprensa.

Justamente ou injustamente?
Aí depende de como vai ser o comportamento dos jogadores.

O senhor acha que a Copa de 2014 vai ser mais difícil que as outras?
Mais difícil para qualquer jogador. Eu estava num telão público na Copa de 2010 evangelizando, quando o Brasil perdeu da Holanda. O repórter me disse assim: “Na sua opinião, quem foi o culpado pela derrota?”. Para você ver a inclinação do jornalismo esportivo no Brasil. Quando ganha, o sucesso e etc. Quando perde, malha. Eu disse para ele: “Eu vou dizer o que você não quer ouvir. Nós estamos aqui no meio de 200 pessoas fazendo trabalho voluntário. Viemos para a África do Sul e estamos orgulhosos da nossa seleção. Perdemos o jogo hoje, mas não tem nenhum culpado. Temos que lembrar no Brasil que somos cinco vezes campeões do mundo e ninguém tem isso. Eles fizeram melhor e parabéns para a Holanda, que ganhou o jogo. Queria dar um recado pro povo no Brasil: existe uma coisa que vale muito mais a pena...”. Aproveitei e dei um testemunho também.

O que o senhor da norma que a Fifa baixou, depois da Copa das Confederações, proibindo as orações mesmo depois dos jogos?
Isso é ilegal. Fere um artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que concede a todo ser humano a liberdade de testemunhar sua fé em público ou em privado, com ou sem o uso de materiais. A Fifa e outras confederações estão contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O que os Atletas de Cristo ou a JMM vão fazer contra isso?
A JMM nada. Os Atletas já pensaram em escrever uma carta à Fifa entrando com uma representação, mas isso não pode ser feito só pelos Atletas de Cristo, mas por todos os ministérios esportivos envolvidos nessa área. É dizer à Fifa e ao Comitê Olímpico que não pode fazer isso. Eu concordo que, na hora do jogo, o jogador não pode tirar sua camisa, porque, na hora que ele faz o gol, estão todos os patrocinadores ali. E é o patrocinador que paga o salário dele. Eu concordo com isso. Mas no final do jogo, em algum momento expressar a fé usando uma faixa...

Como está o andamento da carta?
A gente não deu seguimento. Só ficou no planejamento. A gente pensa em fazer. Precisaria de uma orientação jurídica muito forte, alguém que conheça de legislação internacional.

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